Silion — a fortaleza da Panfília no planalto que Alexandre não conseguiu conquistar
A 34 quilómetros de Antália, sobre a planície da Panfília, ergue-se num planalto rochoso uma das cidades mais inexpugnáveis da Antiguidade. Silion — a cidade que resistiu ao ataque de Alexandre, o Grande, em 333 a.C. Arriano, na «Anábase», regista o facto sem entrar em pormenores: as fortificações eram demasiado fortes, a guarnição de guerreiros contratados e «bárbaros» demasiado numerosa, e o conquistador, apressado a seguir em frente, abandonou o cerco após o primeiro assalto infrutífero. Silion sobreviveu — não porque alguém a tenha defendido, mas porque ninguém conseguia tomá-la por baixo nem contorná-la por cima. Hoje, as ruínas do planalto estão expostas aos ventos e aos turistas, mas parte delas já deslizou juntamente com o deslizamento de terra de 1969 — e isso também faz parte da história.
História e origem de Sillion
O nome original da cidade na Pâmfila era Selywiys. Este nome também está registado nas moedas antigas na forma ΣΕΛΥΙΙΥΣ, onde a letra Ι transmite o som pâmfilo /w/. Os investigadores atribuem este nome ao heteu Sallawassi — prova de que o povoado no planalto já existia antes da colonização grega. Estêvão de Bizâncio apresenta várias grafias: Σύλειον, Σύλαιον, Σύλλον, Σίλονον. Na forma grega e bizantina, consolidou-se Syllaion.
Quanto à fundação da cidade, a tradição apresenta duas versões. Uma versão refere-se a colonos de Argos. A outra coloca Silion na companhia de Side e Aspendos: todas as três, segundo esta versão, foram fundadas pelos adivinhos Mopsos, Calchante e Amfilóquio após o regresso de Tróia. Por volta de 500 a.C., o pseudo-Scylax refere-a como uma pólis. A partir de 469 a.C., Syllaion integra a Liga Marítima de Atenas e é mencionada nas listas de aliados atenienses por volta de 450 e 425 a.C.
Em 333 a.C., quando o exército de Alexandre atravessou a Panfília em direção ao norte, Silion não abriu as portas. Arriano escreve: «A própria cidade situava-se num local fortificado, onde se encontrava uma guarnição composta por mercenários e bárbaros locais» — Alexandre, que se apressava para Gordium, desistiu do cerco. Após a sua morte, Silion passou para o domínio dos Selêucidas, sob cujo governo foi reconstruído o teatro e parte da infraestrutura urbana. Quando grande parte da Ásia Menor Ocidental passou para os Atálidas de Pérgamo, Silion manteve o estatuto de «cidade livre» por decisão do Senado romano.
A tradição monetária de Silion é uma das mais longas da Panfília: cunhagem ininterrupta desde o início do século III a.C. até ao reinado de Aureliano na década de 270 d.C. As tetradracmas de prata dos tipos de Alexandre e Lisímaco foram cunhadas entre 281 e 190 a.C.; o restante da cunhagem foi em bronze.
Na época bizantina primitiva, Silion ganhou destaque: em 677–678, nas suas proximidades, uma frota árabe que regressava após um cerco mal sucedido a Constantinopla naufragou numa tempestade. A cidade tornou-se a residência do representante imperial — o «ex-prosop» — e um ponto de apoio da feima marítima dos Kivirreotas. Entre 787 e 815, a sé episcopal foi transferida de Pérgamo para lá. Em 1207, a cidade foi conquistada pelos seljúcidas.
Arquitetura e o que ver
As ruínas de Sillion abrangem os períodos helenístico, romano, bizantino e, em parte, seljúcida. Estão espalhadas por um planalto rochoso acima da aldeia de Yanköy, a cerca de 200 metros de altitude sobre a planície. Parte das ruínas já não existe: em 1969, um gigantesco deslizamento de terra destruiu um setor inteiro da cidade. A parte restante continua sob ameaça de deslizamento.
Portões da cidade
Os portões principais da cidade conservaram-se bastante bem e dão uma ideia da arquitetura monumental da entrada do Silion romano tardio. Os portões são ladeados por torres e apresentam uma construção em arco característica da Panfília.
Estádio, anfiteatro e odeão
Os contornos do estádio são visíveis na parte oriental do planalto. O anfiteatro e o odeão — dois tipos diferentes de edifícios de espetáculos — atestam a intensidade da vida urbana no período imperial. Parte destas construções foi danificada pelo deslizamento de terra de 1969.
Templo e cisterna
No território, conservam-se vestígios de um templo — presumivelmente dedicado a um dos deuses olímpicos (a identificação exata não foi estabelecida). Perto dali encontra-se uma grande cisterna, que abastecia de água o planalto, desprovido de curso de água permanente. Trata-se de uma solução de engenharia típica das cidades rupestres da Panfília: sem cisternas, a vida nas alturas seria impossível.
Ginásio e bairros da cidade
Os vestígios do ginásio — local de exercícios físicos e vida cultural — situam-se na parte central do planalto. À sua volta, adivinham-se vestígios de bairros urbanos: ruínas de casas, ruas, vestígios de muros. A acrópole, com as suas paredes preservadas, encerra a panorâmica a norte.
Factos interessantes e lendas
- Quando, em 333 a.C., Alexandre, o Grande, recuou das muralhas de Silion, foi um dos raros casos em que a pólis sobreviveu precisamente graças à sua topografia, e não à diplomacia ou à riqueza. Selge, a norte, agiu de forma diferente — enviou uma embaixada. Silion permaneceu em silêncio e sobreviveu.
- Em 677–678, uma frota árabe, que regressava de Constantinopla, foi destruída por uma tempestade perto de Silion. Este episódio faz parte de uma longa série de expedições árabes mal sucedidas nos mares Egeu e Mediterrâneo do século VII, que definiram a fronteira entre o mundo islâmico e o mundo cristão durante vários séculos.
- A cunhagem de moedas de Silion, desde o final do século IV a.C. até aos anos 270 d.C., constitui uma das mais raras séries numismáticas ininterruptas. Nas moedas mais antigas, conservou-se uma inscrição no dialeto da Panfília do grego, onde um sinal especial, o «I», designava o som /w/ — perdido no grego padrão.
- Após 1969, quando um deslizamento de terra destruiu parte das ruínas, tornou-se claro que Silion assenta numa base instável. É um paradoxo: uma cidade que, durante milénios, nenhum inimigo conseguiu conquistar, está a ser lentamente destruída pelas próprias forças da montanha.
Como chegar
Silion está localizada a 34 quilómetros a leste do centro de Antália, perto da aldeia de Yanköy. O aeroporto mais próximo é o de Antália (AYT). De carro a partir de Antália: estrada D400 para leste, passando por Belek e Serigi, depois siga as indicações para Yanköy. GPS: 36,9925° N, 30,9897° E. A viagem demora cerca de 45 minutos. Os transportes públicos não são fiáveis; é melhor alugar um carro ou apanhar um táxi em Antália.
Da aldeia até ao planalto — subida a pé. O recinto não está vedado; a entrada é gratuita. Combine a visita com Perge (25 km a oeste) e Aspendos (45 km a leste) — juntas, oferecem uma visão completa da arqueologia da Panfília num único dia.
Dicas para o viajante
A melhor altura para visitar é a primavera e o outono: no verão, no planalto aberto, faz calor e não há sombra. Leve água — no topo não há fontes nem pontos de abastecimento. É obrigatório usar calçado com sola antiderrapante: as encostas são rochosas.
Parte das ruínas está localizada perto da borda do planalto — mantenha-se afastado dos precipícios, especialmente se o solo estiver húmido após a chuva. Não se aproxime das fendas no solo: o risco de deslizamento é real. Leve binóculos: das muralhas avista-se toda a planície da Panfília até ao mar — a panorâmica por si só já vale a subida.
Não espere encontrar infraestruturas turísticas: aqui não há bilheteiras, sinalização nem guardas. Este é um local para viajantes independentes, dispostos a interpretar as ruínas sem pistas. Silion é o oposto de Pérge e Aspendos: não é um museu pomposo e restaurado, mas sim uma sensação viva do tempo, que é impossível colocar em pausa.